Sagui-da-serra-escuro

Sagui-da-serra-escuro

Estudos que contribuem para a conservação das espécies

Callithrix aurita ou sagui-da-serra-escuro (Fotos: Rafael Augusto)

A Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade promoveu uma palestra on line, em julho de 2021, sobre "Ecologia e conservação de Callithrix aurita, o sagui-do-vale-do-paraíba - uma das espécies mais ameaçadas do planeta", que teve como público-alvo alunos de universidades da região, objetivando despertar nos estudantes o interesse em conhecer as espécies de primatas, sobretudo, as existentes no Município. Foi apresentada pelo Professor Fabiano Rodrigues de Melo, titular da Universidade Federal de Viçosa – UFV, Conselheiro do Muriqui Instituto de Biodiversidade – MIB.

 

O professor trabalha com primatas há mais de 25 anos, tem orientado inúmeros graduandos, alunos de Mestrado e Doutorado e colaborou para a criação do Centro de Conservação de Saguis-da-Serra – CCSS, criadouro científico voltado exclusivamente à manutenção e reprodução de saguis-da-serra. Com enorme conhecimento e desenvoltura, Fabiano explicou as diferenças entre as espécies, aspectos da alimentação, habitat e principais ameaças, como a hibridação com saguis alóctones. Falou, por fim, da urgência na realização de levantamentos sobre os locais de ocorrência desses primatas, onde não há dados sobre as populações existentes. 

 

Link para acesso ao vídeo da palestra: https://youtu.be/vvUHqw4LJT0

 

No ano seguinte, já no âmbito das ações do Programa Primatas, tiveram início, em agosto de 2022, as ações do Projeto sagui-da-serra-escuro, em São José dos Campos, visando à proteção do Callithrix aurita, uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo. A Prefeitura firmou convênio com a Universidade Federal de Viçosa – UFV/MG e o Centro de Conservação de Saguis-da-Serra - CCSS, único do mundo especializado em saguis-da-serra, para execução de ações, financiadas com recursos do Fundo Municipal de Conservação Ambiental - FUMCAM, aprovados pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMAM.

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O Projeto tem como objetivos identificar as áreas de ocorrência dos saguis, quantificar os animais – machos, fêmeas, subadultos e filhotes - caracterizar a espécie (nativo, híbrido ou alóctone), observar seu comportamento, analisar o ambiente onde vivem e realizar ações de manejo dos saguis e do ambiente, quando necessárias. A sensibilização dos moradores sobre a importância da proteção da biodiversidade, por meio de palestras pelos pesquisadores, contato com universidades e órgãos locais e de apoio para produção de materiais de comunicação sobre a fauna silvestre também é objetivo e, durante as abordagens, é sempre entregue folheto explicativo com informações importantes, além de imagens do sagui-da-serra-escuro:

Folder - Projeto Sagui-da-serra-escuro

Outros órgãos e instituições apoiam o Projeto, como o Ecomuseu/CECP, CRAS/Univap e ICMBio. Em novembro de 2022, o Projeto Ecomuseu promoveu um de seus encontros virtuais tendo o Callithrix aurita como tema. O encontro, bastante animado e informativo pode ser visto na página:

https://www.facebook.com/ecomuseusjc/videos/704606300965824/

Na primeira etapa do Projeto (agosto de 2022 a fevereiro de 2024), as pesquisadoras - Bióloga Dra. Fernanda Maria Neri e a graduanda da FATEC/Jacareí Milena Nogueira C. Dias - contratadas pela UFV, executaram 10 campanhas de campo, visitaram vários bairros, conversaram com moradores, comerciantes, estudantes, funcionários de escolas, dentre outros, em busca de informações sobre os locais de vida dos saguis e de permissão para entrar nas áreas. Os estudos também permitiram identificar alto grau de hibridação, sobretudo, na região Leste do perímetro urbano, levando à realização de ações de manejo dos saguis alóctones (C. penicillata e C. jacchus) e híbridos, que tiveram início em julho de 2023, com capturas, esterilizações – pelas veterinárias do CRAS/Univap - e soltura dos saguis nos locais onde viviam, elevando-se o grau de proteção do Callithrix aurita, o sagui nativo, em São José dos Campos. Os saguis-de-tufos-pretos que vivem em fazenda vizinha ao Parque Natural Municipal Augusto Ruschi, também foram esterilizados para evitar a hibridação com os grupos de C. aurita do Parque. Foram registrados 125 saguis puros, 25 C. penicillata e 3 C. jacchus em 30 bairros e esterilização de 50 saguis (híbridos e alóctones) .

A segunda etapa do Projeto contou com recursos da APA Federal Mananciais do Rio Paraíba do Sul/ICMBio, após novo aditivo ao convênio com a Universidade Federal de Viçosa em razão dos resultados obtidos e a necessidade de continuidade dos esforços. As ações em campo foram retomadas em maio de 2024, pelo pesquisador Dr. Cleuton Lima Miranda, acompanhado de Milena Nogueira e, em seguida, somente de Rafael Augusto – graduando de Biologia da Univap. Nessa etapa, terminada em abril de 2025, foram priorizadas ações exclusivas de mapeamento de grupos de saguis nativos e definição de suas áreas de ocorrência, visando à elaboração de um plano municipal da espécie ameaçada para incorporação às políticas públicas setoriais e nas análises por empreendedores e de órgãos licenciadores de atividades geradoras de impactos para a conservação da espécie. Foram percorridos 126 áreas com vegetação florestal natural remanescente, sobretudo, ao longo dos córregos urbanos, somando 2.056 hectares, tendo sido identificados 378 saguis nativos, 72 híbridos e 1 C. penicillata.

A parceria com o Ecomuseu viabilizou a continuidade e expansão das ações, com o Projeto Reflorestando a Trilha do Callithrix aurita, com recursos da Petrobrás, ao longo de 48 meses. A equipe de pesquisa com primatas do Ecomuseu, formada pelo Dr. Cleuton Lima Miranda e o estudante Nicolas Machado, tem dado prosseguimento às esterilizações de híbridos e alóctones – executadas no hospital veterinário da UFV - identificados durante os levantamentos. Infelizmente, o processo de hibridação tem avançado com rapidez em áreas onde, no início das ações, ocorriam apenas saguis-da-serra-escuros. A análise genética e o manejo de saguis puros, pelo CCSS, constituíram novas atividades que vão contribuir para os esforços da conservação ex situ da espécie, além de levantamento contínuo e monitoramento.

A Prefeitura teve novos recursos do FUMCAM, aprovados pelo COMAM, para desenvolvimento da terceira etapa do Projeto sagui-da-serra-escuro.

 

O objetivo dessa nova etapa é ampliar o levantamento da ocorrência das espécies de primatas, agora com ênfase nos grandes fragmentos da área rural do Município e no Distrito de São Francisco Xavier. As ações tiveram início em março de 2026, com o reconhecimento do território pelos pesquisadores Thiago Osório, Brenda Alves e Kesleyane Pereira, que formam a nova equipe da Universidade Federal de Viçosa/Centro de Conservação de Saguis-da-Serra, executora do projeto.

 

Os pesquisadores têm visitado propriedades rurais e conversado com moradores, funcionários, estudantes, comerciantes da Zona Rural Norte, visando divulgar as ações do Projeto Sagui-da-serra-escuro e Programa Primatas e obter dados sobre avistamento dos primatas para inclusão no mapa de distribuição das espécies e outras análises populacionais. Essa nova etapa deve se estender até setembro de 2027.

 

Metodologia

As ações consistiram em saídas mensais a campo, ou campanhas, com duração média de 15 dias para vistoriar fragmentos de vegetação nativa, previamente escolhidos, com base em: 1) reportes de munícipes, por meio de telefone/Wpp do Programa Primatas, 2) informações dos pesquisadores, obtidas em conversas com moradores e 3) áreas ambientalmente propícias à presença dessa espécie de primata (com presença de bambuzais, árvores frutíferas, córregos, etc).

A identificação dos saguis é feita por observação direta, com auxílio de ferramentas metodológicas como “playback” - emissão de gravação da voz dos próprios primatas que, na maioria das vezes, respondem ao estímulo - binóculos, GPS, câmeras, além do aparato de segurança pessoal.

As ações de manejo dos saguis alóctones e híbridos e a priorização dos locais de captura utilizou como critério o risco de hibridação entre saguis-da-serra-escuros e outras espécies, que destrói a genética do sagui nativo.

 

 

 

Saguis híbridos (Fotos: Rafael Augusto e Milena Nogueira)

 

Ou seja, quanto maior o risco aos aurita, mais rápida a intervenção - como nos grupos com híbridos e puros ou em áreas com alóctones próximos a grupos de saguis nativos. O grupo de C. penicillata, que representava risco à população de C. aurita do PNMAR, foi o primeiro manejado. A detecção de saguis alóctones em grupos com puros gera o esforço de captura do grupo inteiro, com esterilização dos híbridos e coleta de dados biométricos e sangue, sem procedimento cirúrgico, dos nativos, pois deveriam ter a continuidade de reprodução assegurada. A soltura dos grupos é feita no mesmo local de captura, com acompanhamento pelos moradores.

 

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