Museu Vivo deste domingo tem biscoito beliscão e violeiros
Atualizado em 01/06/2019 - 10:38
Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Darci Xavier mostra os biscoitos 'beliscão' (de polvilho) que aprendeu a fazer sozinha - Foto: Divulgação - Foto: Divulgação

Avelino Israel
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

“A medida de cada biscoito é um ‘beliscão’ que dou na massa. Por isso, ele ganhou este nome. Além disso, a medida também pode parecer pequena, mas é na cozinha que a ‘mágica’ acontece e o biscoito cresce”. A explicação é da mineira de Monte Claros Darci Xavier de Almeida, 74 anos, que neste domingo (2) participará do programa Museu Vivo, realizado pelo Museu do Folclore de São José dos Campos, das 14h às 17h, no Parque da Cidade, em Santana (região norte).

Darci trabalhou na lavoura da família e aprendeu a culinária caipira sozinha, usando os ingredientes que tinha em casa, experimentando tudo o que podia. Hoje sabe fazer rocambole de mandioca, bolo cremoso de fubá, cuscuz doce e geleias. “Gosto de alimentos frescos e faço questão de fazer tudo natural, em casa mesmo”, disse.

Neste domingo, ela vai compartilhar com o público os seus saberes culinários, fazendo o biscoito ‘beliscão’.

Pá de lata

Para o joseense Jairo Célio Nogueira, 43 anos, outro representante da cultura popular da região que estará presente no Museu Vivo deste domingo, a observação foi essencial para ele desenvolver uma técnica de construção de ferramenta, no caso, uma pá feita de lata. “Eu observava o pessoal da limpeza pública utilizando a ferramenta na sua atividade diária e resolvi fazer eu mesmo”, afirmou Jairo.

Os saberes populares são de família e fazem parte da história de vida de Jairo. Seu pai trabalhou em olaria e sua mãe bordava em panos de prato e usava plantas medicinais. Até hoje, Jairo guarda em sua casa a máquina de costura do seu avô. “Eu me lembro do tempo que minha família se reunia para fazer paçoca e pamonha. Era muito bom".

Silvio Silvinho

O nome é da dupla de violeiros, formada há 50 anos entre Benedito Braz da Silva, 70 anos, e os irmãos, que já faleceram. Hoje, o seu parceiro musical é o filho Abimael, 27 anos. Natural de Paraibuna, Silva viveu grande parte da sua vida no sul de Minas. “Eu sou do tempo de Tonico e Tinoco, Jacó e Jacozinho e tantos outros. Eles me inspiraram a aprender a tocar viola e a formar a dupla”, disse Silva.

Ele conta que ‘nasceu cantando’ e que quando morava na roça com a família ouvia rádio e aprendeu a copiar os ritmos e letras das músicas. “No início, a gente tocava nos armazéns em troca de doce e refrigerante. Hoje, já temos CD lançado, músicas autorais e passamos a cantar música gospel também (com o filho). Tocamos até no exterior”.

Programa e gestão

O programa Museu Vivo é realizado aos domingos à tarde na área externa do Museu do Folclore, reunindo representantes da cultura popular regional, que compartilham seus saberes no artesanato, na culinária e na música. A atividade é aberta ao público e tem classificação livre.

O Museu do Folclore foi criado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo em 1987 e sua gestão é feita pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com sede em São José dos Campos.

Serviço

Museu do Folclore de SJC

Av. Olivo Gomes, 100 – Parque da Cidade – Santana

(12) 3924-7318 / www.museudofolclore.org


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