Museu Vivo deste domingo terá dupla de violeiros, pé-de-moleque e fuxico mineiro
Atualizado em 17/01/2019 - 17:28
Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Os violeiros Zé Simão (à direita) e Carlos Lopes formam a dupla "Os Conquistadores", uma das atrações de domingo - Foto: Divulgação/FCCR - Foto: PMSJC

Avelino Israel
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

Ao longo de 40 anos vivendo da música, o violeiro Tomas Marcelino Lopes, o Zé Simão, gravou 6 LP's de vinil e 7 CDs, vendendo um total de 170 mil discos. Apesar da carreira profissional e do sucesso conquistado com a dupla Zé Simão e Simãozinho, seu conhecimento musical não foi obtido em nenhuma escola especializada.

Nascido em São José dos Campos, no bairro Água Soca, Zé Simão aprendeu a tocar violão acompanhando as Folias de Reis que passavam na Fazenda Serrote, onde seu pai morava com a família, lidando com o gado e cuidando da plantação. Depois disso, nunca deixou de tocar, nem mesmo quando trabalhou um tempo como caminhoneiro.

Hoje, aos 68 anos, seu companheiro de viola é o primo Carlos Lopes, com quem forma a dupla Os Conquistadores. No domingo (20) eles estarão no Museu do Folclore de São José dos Campos participando de mais uma edição do programa Museu Vivo, a segunda do ano.

Receitas da vovó 

Reinalda Conceição da Rosa Barros tinha 15 anos de idade quando aprendeu a fazer pé-de-moleque com rapadura, com sua vó Aninha e sua mãe Urvalina. A receita é da sua vó, que passou para a filha e depois para a neta, numa demonstração clara de que o saber é passado de geração em geração, fortalecendo a cultura popular.

Aos 68 anos, Reinalda se recorda que foi em São Bento do Sapucaí, cidade onde nasceu, que também aprendeu a costurar. “Para me ensinar, minha mãe me pediu para desmanchar e montar uma calça. Fiquei dois dias mexendo com a roupa”, ressalta. Aos 21 anos veio para São José e durante muito tempo, mesmo depois de casada, trabalhou como costureira autônoma.

Fuxico mineiro

“Minha mãe é que começou a fazer, lá em Minas. Ela começou a fazer e não sei porque ela parou. Aí minhas irmãs, Catarina e Josefina, fizeram um pouquinho. Depois eu terminei. A maioria desses retalhos aqui são de roupas que a minha mãe fazia para a gente. Ela costurava para fora e fazia roupa para a gente. Eu lembro que este xadrezinho era uma blusa minha, essa era uma saia”.

O relato é da mineira Cândida Morais Bernardes, nascida em Carmo da Mata, sul de Minas Gerais, e diz respeito a uma colcha de fuxico mineiro feita pela sua mãe, suas irmãs e por ela, resultado de uma sabedoria popular que está pulsante até hoje em sua memória. Um saber que ela continua dividindo com as pessoas, como vai fazer no domingo, durante o Museu Vivo.

Cândida é uma das representantes da cultura popular regional, entrevistada no 23º volume da Coleção Cadernos de Folclore, publicado em 2013 pelo Museu do Folclore e Fundação Cultural Cassiano Ricardo. A edição pode ser lida pela internet e está à disposição para leitura na biblioteca do museu.  

Todos os domingos

A atividade do Museu Vivo é aberta ao público e acontece em todos os domingos do mês, no lado externo do museu, das 14h às 17h, contando com representantes da cultura popular regional nas áreas de artesanato, culinária e música. O programa é realizado pelo Museu do Folclore, que é ligado à Fundação Cultural e tem sua gestão realizada pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos.

 

Museu do Folclore de SJC

Av. Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade – Santana

(12) 3924-7318


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