Pesquisa científica no Parque Natural Augusto Ruschi tem destaque internacional
Atualizado em 23/02/2019 - 17:46
Sapinho Pingo de Ouro (Brachycephalus ephippium)
O sapinho pingo de ouro (Brachycephalus ephippium) foi uma das espécies raras encontradas no Parque Augusto Ruschi - Foto: Divulgação

Priscila Veiga Vinhas
Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade

Uma pesquisa sobre anfíbios, realizada no Parque Natural Municipal Augusto Ruschi - PNMAR, em São José dos Campos, foi publicada no periódico científico internacional Herpetology Notes, no último dia 20. A revista eletrônica é publicada pela Societas Europaea Herpetologica (SEH), associação com aproximadamente 350 membros da Europa e outros países. O estudo está disponível neste link.

O Biólogo e Mestre em biologia animal, Matheus Moroti, publicou, juntamente com outros pesquisadores, o artigo com título “Composition of anuran species in the Parque Natural Municipal Augusto Ruschi in Paraíba Valley, São Paulo State, Brazil”, na tradução livre “Composição de espécies de anuros no Parque Natural Municipal Augusto Ruschi, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Brasil”, no qual caracterizou o número de espécies, modos reprodutivos, constância de ocorrência, características taxonômicas e a distinção da comunidade de anuros (anfíbios) no PNMAR.

Levantamento de espécies

Há cerca de dois anos, o pesquisador, então estudante de graduação, iniciou um levantamento de espécies da herpetofauna (répteis e anfíbios) na área do Parque, constatando grande diversidade de espécies endêmicas do bioma Mata Atlântica.  No trabalho recém-publicado, ele atualiza os dados com a identificação de 32 espécies de anfíbios distribuídos em nove famílias, pertencentes a 19 gêneros. Esse número de espécies representa cerca de 45% das espécies de anfíbios registrados para o Vale do Paraíba, e 13% do Estado de São Paulo. 

Segundo o estudo, em todos os ambientes amostrados, um maior número de espécies raras foi encontrado, seguidas por espécies ocasionais e frequentes, o que mostra que a maioria dos anfíbios da área é difícil de ser encontrada e apenas em determinadas épocas. Matheus ainda conta que alguns anfíbios registrados para o PNMAR são encontrados apenas em áreas preservadas de Mata Atlântica, como é o caso do sapinho pingo de ouro (Brachycephalus ephippium), o sapinho de chifre (Proceratophrys boiei) e a perereca-flautinha (Aplastodiscus arildae). Além disso, algumas espécies que ocorrem no parque ainda não são conhecidas pela ciência e estão em processo de descrição.

Área florestal

A área florestal do parque apresentou o maior número de espécies registradas, além de maior diversidade taxonômica, quando comparada com as áreas abertas. Esse resultado reforça a importância da preservação de todas as áreas do parque, pois algumas espécies são encontradas apenas em determinados habitats. O estudo evidencia que o PNMAR, embora pequeno fragmento de Mata Atlântica, ainda retém grande parte de sua cobertura vegetal original e fornece diferentes condições microclimáticas e habitats adequados para o alto número de espécies encontradas.

Para os analistas da Secretaria Municipal de Urbanismo e Sustentabilidade o projeto é bem representativo em termos científicos, foi possível em razão das inúmeras campanhas realizadas no PNMAR, que possui um patrimônio natural único, e materializa uma das principais vocações dessa Unidade de Conservação, que é a pesquisa científica.

O Parque Augusto Ruschi tem sido procurado por estudantes e pesquisadores da região para estudos relacionados, sobretudo, à fauna e botânica. A perspectiva da Prefeitura é realizar em breve melhorias na infraestrutura do Parque, com reforma do Centro de Estudos, e assim estimular a vinda de mais pesquisadores. 

Matheus informou que continuará seu trabalho com pesquisas no PNMAR e seu próximo passo é iniciar novo estudo com foco em répteis e continuar estudando comportamento e reprodução dos anfíbios.

Parque Natural Municipal Augusto Ruschi

O Parque Natural Municipal Augusto Ruschi é a primeira Unidade de Conservação de Proteção Integral de São José dos Campos, criada em 17 de setembro de 2010 pela Lei Municipal 8.195, na área do antigo Horto Florestal.

Localizado no bairro do Costinha, região Norte, o parque é um dos principais fragmentos florestais do município, com 243 hectares de Mata Atlântica preservada.

 Sua missão é voltada unicamente para a conservação da biodiversidade, realização de pesquisas científicas, educação ambiental e turismo ecológico, conforme normas do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC.

Atualmente o Parque está em processo de readequação da infraestrutura, para em breve abrir o agendamento de grupos monitorados.

 

 


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