Museu do Folclore valoriza a transmissão de saberes com programa Museu Vivo
Atualizado em 15/02/2019 - 14:23
Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Luis da Taboa, como é chamado durante produção de uma cadeira, utilizando a matéria prima - Foto: Divulgação/MFSJC - Foto: Divulgação

Avelino Israel
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

A palavra tradição, que traz em seu significado a transmissão de saberes, costumes, comportamentos, memórias, crenças e lendas, de geração em geração, exemplifica muito bem uma das características da cultura popular. Na região, essa transmissão é valorizada pelo programa Museu Vivo, do Museu do Folclore de São José dos Campos, que reúne representantes da cultura popular regional nas áreas de artesanato, culinária e música. A atividade acontece aos domingos, das 14h às 17h.

Neste domingo (17), um dos convidados para o encontro é o paranaense Luis Pereira dos Santos, 55 anos, conhecido como ‘Luiz da Taboa’. O apelido vem da matéria prima que ele utiliza para fazer peças de artesanato, como cestas, bolsas e cadeiras. A taboa (planta aquática de fibra durável e resistente) está presente na sua família há gerações e acabou gerando uma possibilidade profissional quando esteve desempregado.

Luis conta que seu avô, Manuel dos Santos, empregava a taboa para diversos fins, como para fazer forro de casas, esteiras, cadeiras e mesas. “Meu avô trabalhava totalmente com a taboa e meu pai o ajudou quando era criança. Depois, em São José, meu pai retomou o artesanato com a planta e foi assim que eu aprendi também, olhando ele fazer e fazendo junto”, ressaltou Luis.  

Uma receita especial 

Aos 65 anos, a mineira Isabel de Fátima Santos Azevedo sabe fazer uma boa variedade de salgados e doces. No domingo ela vai fazer um bolo de coco que aprendeu com sua avó, Carmelina, e com sua mãe, Aparecida, em Minas Gerais, na região de São Lourenço. Fátima conta que, por morar perto da sua avó, conviveu durante muito tempo com ela e aprendeu muitos dos seus saberes e fazeres.

Fátima tem na memória a destreza da avó com os pratos e matéria prima advindos da mandioca, como farinha, polvilho, bolos, bolinhos, pudim e outros. É nas festas da igreja que ela, tradicionalmente, exerce seus saberes populares na comunidade, fazendo cuscuz, pastéis, bolinhos, tortas, bolinho caipira e outros quitutes. 

Viola e cantoria 

Outro paranaense, José Roberlei Turibio, 56 anos, será a atração musical do ‘Museu Vivo’ de domingo. Com mais de 25 anos tocando e cantando em programas de rádio, ele fará dupla com Ruan Vale. Sua primeira música sertaneja, Mobilete, foi feita em homenagem à prima Janete. O primeiro trabalho gravado aconteceu com o compadre Ramiro, quando formaram a dupla Ramiro e Roberlei.

Sua história como violeiro, cantor e compositor inclui um bom relacionamento com o apresentador de música sertaneja Reizinho, novas parcerias, que resultaram em composições conjuntas; participação em programas de televisão, gravação com cantor famoso e até participação em festivais, com direito a prêmios.

O Museu do Folclore é um espaço da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, cuja gestão é feita pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com sede em São José dos Campos.

 

Museu do Folclore de SJC

Av. Olivo Gomes, 100 – Parque da Cidade – Santana

(12) 3924-7318


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