Curso capacita para análise e preservação das árvores
Atualizado em 29/04/2019 - 19:07
Capacitação análise de risco de queda de árvore. Foto: PMSJC
Equipe da Prefeitura participa de aula prática para análise das árvores com aparelhos tecnológicos - Foto: PMSJC

Priscila Veiga Vinhas
Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade

A Prefeitura de São José dos Campos promoveu, na última semana, curso de capacitação para seu corpo técnico, ministrado por especialistas do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). A abordagem foi sobre a análise do risco de queda de árvores e utilização do software Arbio2, destinado à gestão de dados do patrimônio arbóreo público.

Durante cinco dias, o grupo realizou uma imersão junto aos especialistas em arborização urbana, Reinaldo Araújo e Sérgio Brazolin, reciclando informações sobre fisiologia vegetal e biomecânica das árvores, estudo de pragas e fungos, além das variáveis de riscos oferecidos no ambiente urbano. A programação também contou com análises realizadas a campo, com a utilização de aparelhos modernos, como tomógrafo e penetógrafo.

Participaram 22 servidores, entre técnicos da Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade, da Secretaria de Manutenção da Cidade, analistas do departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação, além de funcionários das equipes que atuam diretamente na conservação das árvores da cidade pela SMC e um técnico pela EDP.  

Conforme explicou o biólogo Sergio Brazolin, pesquisador e membro da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, o curso baseia-se em um olhar obtido ao longo de 15 anos de experiência em trabalho de campo e estudo de tecnologias para fazer a avaliação de risco.

“Trouxemos o olhar de como fazer uma avaliação de risco, vendo os defeitos da árvore, mas também como a árvore suplanta esses defeitos, como ela faz a cicatrização das feridas, como ela reforça o seu tronco ou seus galhos para evitar a queda. Esse conceito que chamamos de biomecânica da árvore é o olhar de engenharia para explicar a biologia e esse olhar positivo ajuda os técnicos a tomarem decisões favoráveis, de preservação do exemplar.”

O curso também abordou as novas tecnologias como tomógrafo e penetógrafo, já aplicadas em análises realizadas pelo município.

“São tecnologias disponíveis e utilizadas no mundo inteiro que ajudam a confirmar a análise visual realizada pelos técnicos e diminuem as incertezas na avaliação das árvores. Elas incrementam e melhoram muito o trabalho do técnico, tanto para preservar o ser vivo árvore que é importante para a cidade, porque presta serviços ambientais, como também para tomar decisões e evitar acidentes”, explicou Brazolin.

Para a bióloga Fabiane Freitas, o curso veio agregar conhecimentos importantes para o trabalho que vem sendo desenvolvido.

“O curso trouxe novos conceitos e a perspectiva de utilização do software vai colaborar muito com nosso trabalho, para ter uma resposta mais elaborada para os laudos. Fiquei muito satisfeita com a qualidade técnica dos instrutores, todo o cuidado e didática do curso e fez a gente perceber que estamos no rumo certo”, declarou.

Para William Felipe Braga, supervisor de áreas verdes da Regional Sudeste, o curso também vai enriquecer o trabalho operacional. “Apesar de não termos o mesmo conhecimento de um engenheiro ou biólogo, o curso foi muito didático e mudou meu conceito com relação à poda e à arborização da cidade. Vai ser importante levar para minha equipe operacional para que a gente mude essa visão de que árvore atrapalha, tendo o embasamento técnico, e levando isso para o munícipe”, afirmou.

O supervisor da Regional Leste 1, Leandro Santos, concordou com o colega. “Estou muito feliz com este treinamento, pois ampliou nossa visão sobre o serviço que a gente executa. Agregou muito conhecimento. Tenho certeza que eu poderei passar para os demais sobre a importância da árvore e como avaliar a situação em que ela se encontra.”

“Pude perceber aqui um corpo técnico muito bem formado e atualizado. É um corpo técnico que se comunica muito bem e que tem o desafio muito grande de fazer as análises e estimular a população a se apropriar desse ser vivo tão importante que é a árvore”, concluiu Brazolin.

Arbio 2

Recente contratação da Prefeitura, o Software Arbio2 é uma solução de tecnologia da informação para o processamento e gestão de dados da arborização urbana.  O software é desenvolvido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). O sistema vai oferecer quatro plataformas de dados, Inventário, Planejamento, Registro de Queda de Árvores e Mapeamento das Árvores do Município.

O objetivo é gerar uma base de dados sólida para as atividades de planejamento e gerenciamento do patrimônio arbóreo municipal, reduzindo os riscos de incidentes que envolvam quedas de árvores.

O grande diferencial do Arbio2 é a análise de risco baseada em um modelo computacional dinâmico que relaciona os parâmetros da árvore e seu comportamento sob a ação do vento e permite formar um histórico de dados e analisar o desempenho das espécies ao longo do tempo, diferentemente de outros programas que se concentram na espacialização e quantificação das árvores.

Saúde das Árvores

Por meio do Programa Saúde das Árvores, a Prefeitura vem realizando o diagnóstico preventivo do patrimônio arbóreo do município, com a utilização de aparelhos de última geração, tais como tomógrafo e resistógrafo. Toda a coleta de dados será imputada no sistema Arbio2.

A Prefeitura iniciou as vistorias preventivas com esses aparelhos em junho de 2018, começando pelas árvores protegidas e localizadas em pontos de grande circulação de pessoas, como nos parques públicos, e chegou a 170 indivíduos arbóreos analisados este ano.

Os aparelhos complementam a avaliação técnica visual realizada pelos engenheiros agrônomos da Prefeitura, obtendo assim maior precisão na avaliação do risco de queda de uma árvore.

O resultado das análises indica as ações de manejo necessárias, tais como poda de alívio de peso da copa, remoção de galhos secos, ou até mesmo supressão com posterior plantio de outra árvore.

 


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