Jorge Sigueo, o pioneirismo na luta contra o câncer
Atualizado em 05/08/2026 - 15:44
Jorge Sigueo -Talentos de SJC
Há mais de 30 anos salvando vidas, Jorge Sigueo ensina que a medicina também se faz com empatia - Foto: Paulo Amaral/FCCR

Lucas Brito
Governança

Todos os dias, um cirurgião toma decisões que podem mudar uma vida. Entre exames, diagnósticos e procedimentos, há uma rotina marcada pela precisão, mas também pela sensibilidade diante de histórias que ultrapassam qualquer prontuário.

Por mais de três décadas, Jorge Sigueo Kunizaki, 65 anos, conviveu diariamente com este desafio. Especialista em cirurgia oncológica, fez da luta contra o câncer sua profissão, mas descobriu que o tratamento começa antes da cirurgia e continua muito depois dela.

Filho de carpinteiro e mais novo de cinco irmãos, Jorge nasceu em Andradina (SP), mas cresceu em Ilha Solteira (SP), onde passou a infância e ficou até sair para fazer faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

O cirurgião fez residência em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas e especialização em Cirurgia Oncológica no Hospital do Câncer de São Paulo (atual A. C. Camargo Câncer Center), um dos maiores e mais respeitados centros de oncologia do Brasil e do mundo.

Planos mudaram

Filho de carpinteiro e mais novo de cinco irmãos - Foto: Paullo Amarall

Jorge chegou ao município em junho de 1991 com uma missão desafiadora: estruturar o serviço de cirurgia oncológica do Hospital Pio XII. Nada indicava que aquela cidade, ainda em plena expansão, se tornaria o lugar onde construiria sua história.

"Vim para trabalhar no Hospital Pio XII. A ideia era ficar algum tempo e depois seguir outros caminhos, mas os planos mudaram", lembra. São José crescia rapidamente. Novos bairros surgiam, a população aumentava e a rede de saúde acompanhava essa transformação.

O Hospital Pio XII vivia um período de estruturação e oferecia a oportunidade que Jorge procurava: desenvolver um serviço especializado, formar equipes e ajudar a consolidar o atendimento oncológico em uma cidade que olhava para o futuro.

"São José me recebeu muito bem, desde o primeiro dia. Encontrei pessoas comprometidas, um ambiente favorável para trabalhar e qualidade de vida. Aos poucos, percebi que era aqui que queria permanecer, enfatiza Jorge."

Um marco

Sua chegada representou um marco para a medicina local. Na época, a cidade não possuía um serviço completo na área cirúrgica oncológica e Jorge trouxe na bagagem a experiência de seu período no Hospital do Câncer de São Paulo.

O profissional implementou protocolos fundamentais, como o estadiamento rigoroso da doença e a criação de prontuários específicos para dar continuidade ao atendimento dos pacientes. “É preciso ter padronização nos atendimentos para poder analisar, programar seus tratamentos e acompanhar os casos ao longo do tempo", explica.

Esse trabalho pioneiro e árduo ajudou a transformar o Pio XII em uma referência de excelência. Durante 33 anos, esteve à frente do Serviço de Cirurgia Oncológica da instituição. Foram milhares de pacientes, incontáveis horas em centros cirúrgicos e uma medicina que evoluiu diante dos seus olhos. 

As técnicas mudaram. Os equipamentos ficaram mais modernos. Os tratamentos passaram a oferecer resultados antes inimagináveis. Mas uma certeza permaneceu intacta: "Você trata pessoas, não apenas doenças. A tecnologia evolui, mas a relação humana continua sendo parte fundamental do tratamento."

Gesto cuidado

Jorge Sigueo com integrantes da entidade social Gesto - Foto: Paullo Amarall

Quem trabalha diariamente com o câncer aprende que existem dores que nenhum procedimento consegue aliviar. Cada diagnóstico traz consigo medos, inseguranças e mudanças que afetam toda a família.

Ao longo da carreira, Jorge entendeu que o tratamento oncológico exige muito mais do que conhecimento técnico; exigia um olhar humano profundo. Foi justamente observando essa realidade que nasceu um dos projetos mais importantes de sua trajetória, ainda nos primeiros anos de atuação em São José.

Percebendo a angústia e a necessidade de informação dos pacientes que enfrentavam os difíceis tratamentos de quimioterapia e radioterapia, ele e um grupo de pessoas fundaram, em 28 de setembro de 1995, a entidade social Gesto (Grupo de Estímulo e Solidariedade ao Tratamento Oncológico).

Jorge ao lado da esposa e dos dois filhos - Foto: Acervo Pessoal

Casado há 35 anos e pai de dois filhos, que também seguiram os caminhos da medicina, Dr. Jorge trabalha, atualmente, apenas em seu consultório privado após deixar o Pio XII em 2024 e celebra as conquistas da cidade que o acolheu.

 

 

O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos. Confira aqui a programação de aniversário

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