Justificativa do
programa
A manutenção da rede hidrológica no município
depende de entendermos as fases deste ciclo pelas quais somos
afetados e dos efeitos dos processos de urbanização sobre o meio
físico.
Este entendimento ajudará a traçar as diretrizes
para o crescimento ordenado da cidade, na tentativa de conciliar o
desenvolvimento urbano com a natureza.
Apenas um segmento do ciclo hidrológico está
inserido no âmbito de orientação e ordenação do poder público
municipal, mesmo assim restrito a área urbana.
Ciclo Hidrológico
- Evaporação/Transpiração
- Precipitação
- Escoamento
- Reservação/Retenção
- Infiltração
Os processos da natureza no ciclo hidrológico
têm sua importância na conservação do meio hídrico, principalmente
na recarga de aqüífero, proporcionada por:
- Água retida pela vegetação
- Água infiltrada e retida no solo
- Água retida em depressões de terreno
- Água armazenada dinâmicamente nos rios e várzeas
- Água retida em grandes depressões
Urbanização
Os processos de urbanização que interferem no
processo da natureza são:
- Ocupação do solo pela valorização de terrenos impróprios a
urbanização;
- Invasões de áreas inadequadas à ocupação;
- Aterros nas áreas do leito maior dos rios e até do leito menor
dos rios.
Como conseqüência, há a necessidade de adoção de
medidas estruturais e não estruturais para controlar e solucionar
os problemas já existentes e os que poderão existir no futuro. As
medidas estruturais são geralmente obras de grande porte como:
Obras de microdrenagem:
- Galerias de águas pluviais
Obras de macrodrenagem:
- Canalização de córregos
- Limpeza e desassoreamento de córregos
- Diques de contenção
- Readaptação de obras de galerias e de travessias
As medidas não estruturais são fruto do
planejamento urbano a médio e longo prazos, porém de menores custos
e maiores efeitos:
- Regulamentação da ocupação e do uso do solo;
- Programas de informação e de educação ambiental;
- Sistema de prevenção e alarme de eventos de enchente.
Conceituação do projeto
Etapa 1
Escolha da área piloto de trabalho.
Criação de banco de dados das bacias hidrográficas (digitalização
de cartas e mapas).
Instalação de equipamentos (pluviômetros, pluviógrafos e
linígrafos).
Monitoramento da ocupação urbana e efeitos da impermeabilização e
de geração e transportes de sedimentos.
Determinação de áreas de recarga de aqüíferos.
Programa de Observação de Chuvas (Educação Ambiental).
Etapa 2
Orientação a formulação de legislação a proteção de mananciais de
águas superficiais, orientando a ocupação urbana e definindo o
Macrozoneamento Hidrológico e Plano Diretor do Município.
Estudo de controle de cheias, orientando a:
- Ocupação urbana;
- Obras de defesa contra enchentes.
- Desenvolvimento de programa de treinamento com cursos
específicos.
- Continuidade a coleta de dados hidrológicos.
Etapa 3
Elaboração de modelos matemáticos:
Curvas de chuvas características.
Modelos de escoamento nos diversos canais e córregos.
Manuais de procedimento para manutenção
Desenvolvimento de projetos de obras hidráulicas.
Continuidade a coleta de dados hidrológicos.
No mínimo mais 3 anos para primeiras avaliações;
Desejável para avaliação confiável com 20 anos de observações.
Programa de Observação de
Chuvas
Objetivos
Implantada na Rede Municipal de Ensino, com o envolvimento dos
corpos discente e docente que elaborarão propostas de trabalhos
diferenciados nas áreas de Ciências, Geografia, Matemática e
outras.
Implantação de equipamentos
Levantamento de dados pluviométricos
Implantação de equipamentos
Levantamento de dados pluviométricos
Digitalização dos dados e inserção dos dados coletados no Programa
de Macrodrenagem
Disponibilização dos dados entre escolas
Desenvolvimento das atividades pedagógicas propostas
Implantação de Equipamentos
O Projeto Piloto do Programa de Macrodrenagem iniciou com a
implantação de 30 pluviometros do padrão de agricultor,
sendo:
19 Escolas Municipais
2 Postos de Saúde
1 Sub-Prefeitura (Distrito de Eugenio de Melo)
1 Posto da Guarda Municipal
1 Pavilhão de Exposições
1 Associação dos Servidores Municipais - Sede de Campo
5 Residencias em zona rural
Hoje conta com 70 pluviômetros.
Cidadania
A população deve também colaborar para a
manutenção dos equipamentos públicos.
As bocas-de-lobo, que formam o sistema de coleta
da drenagem superficial, têm que estar sempre limpas e
desobstruídas para o seu funcionamento.
Quando uma boca-de-lobo é fechada ou obstruída
com a confecção de uma rampa de garagem, ela deixa de captar um
grande volume das águas de chuvas, aumentando o que vai rua abaixo
(seu vizinho).
Além de ser perigoso jogar bola na rua, devido
ao trânsito de veículos e a atenção somente no jogo e não em sua
própria vida, por comodidade as crianças vedam as bocas de lobo que
não se lembram de removê-la após a partida. Assim na hora da chuva
forte, ninguém lembra que aquela vedação irá impedir o
funcionamento da boca de lobo, levando toda a chuva para o vizinho
da rua de baixo.
Ninguém gosta de lixo em sua porta, porém há
dispositivos para acondicionamento destes em cestinhas suspensas.
Pior ainda é quando se colocam os sacos de lixo sobre a boca de
lobo, pois além da possibilidade de serem rasgados por animais
soltos na rua, estes podem ir diretamente para as galerias e
entupi-las.
Quando se limpa um terreno e se joga restos de
vegetação, podas e corte de árvores em terrenos a beira de rios,
não se dá conta que, quando chove, há o que chamamos de carga de
lavagem; a enxurrada leva os materiais soltos dos terrenos, que
depois são levados rio abaixo.
Este material que vem no fluxo do rio, ao
encontrar uma canalização de passagem sob uma rua ou estrada,
fatalmente ficará enroscado, chegando a obstruir totalmente a
passagem das águas e provocando imensos alagamentos.
Não precisa dizer que quando ocorre isto em área
urbana causa imensos prejuízos à população local, aos usuários do
sistema viário, tanto local quanto de passagem, e ao município como
um todo, que arca com as despesas de arrumar e fazer tudo funcionar
de novo.
Comentários Finais
O cruzamento das informações levantadas dará
condições para a interpretação das necessidades e das ações
necessárias para a adoção de medidas estruturais e não estruturais
em cada bacia hidrográfica, pontuando e priorizando-as em função de
sua criticidade.
Com isto cria-se o planejamento de obras contra
enchente, obras de macrodrenagem, obras de galerias de águas
pluviais e propostas de mudança de legislação, tanto no Plano
Diretor quanto na Lei de Uso e Ocupação do Solo e Código de
Edificações.
Este banco de dados gerado, aliado a outras
bases de dados do município como o censo demográfico dentre outros,
que estarão incorporados na base de dados do Geoprocessamento em
implantação no município, trará inúmeros desdobramentos nas
diversas Secretarias Municipais.